Três planos

{ em 24.12.2011 } { }

Este texto é na verdade um adendo acerca de meu processo até aqui, (mais uma) elucubração como introdução ao próximo post que conterá a concepção “final” de meu projeto prático-teórico.

Após idas e vindas, a cimática de meu projeto passou por uma troca de fase. Em partes, meu processo tem sido tentar identificar padrões num caos de intenções inconscientes – tanto própria quanto coletiva. A identificação do Invisível, do Instrumento e da Criatura foi parte deste avanço.

Conforme o tempo passa, mais entendemos as intenções iniciais, e mais projetamos o futuro: criatividade em espiral. A emergência de certas linhas e pontos de relações é cada vez mais clara, ao passo que outros permanecem vivos, mas com menor relevância por menor incidência. Meus passos são relativamente pequenos – mas a volta tem sido grande, proporcionando novos encontros e maior abertura das bases de meu projeto. Como aprendi com um grande amigo: todo passo no processo criativo, é como forma de ferradura. Em certo sentido, isto é até empolgante.

“O pensamento remete portanto à experimentação. Essa decisão comporta pelo menos três corolários: pensar não é representar(…); não há começo real senão no meio, ali onde a palavra “gênese” readquire plenamente seu valor etimológico de “devir”, sem relação com uma origem; se todo encontro é “possível” no sentido em que não há razão para desqualificar a priori certos caminhos e não outros, todo encontro nem por isso é selecionado pela experiência.”
François Zourabichvili – “Rizoma” em O Vocabulário de Deleuze

Tentando encontrar uma cerne para os tipos de planos que meu projeto articula, cheguei à um possível esquema simples de como (no que tange sua concepção virtual e intangível) pode ser visualizado. Emprestando os três planos descritos em “O que é a filosofia” de Deleuze e Guattari, me arrisco a dizer que o solo do Design pode estar constituído nas relações sobrepostas de três planos: Plano de Imanência (da qual a Filosofia se faz), Plano de Composição (da qual a Arte se faz) e Plano de Referência (da qual a Ciência se faz).

Acredito que o entendimento geral de um processo em design pode passar pelo entendimento das relações destes três planos afim de situar os tipos de relações em territórios referenciais (momentaneamente pragmáticos), para mais fácil identificarmos como e em quais direções os processos de desterritorialização provavelmente ocorrem no processo do projeto em questão. É importante salientar que ele se faz na relação entre eles, e é sempre imanente a cada ato ou acontecimento, não estando fechado à uma modulação ou plano.

Um exercício, não uma classificação, de visualização da sobreposição dos planos e de seus conceitos-chave no que tangem meu projeto:


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